terça-feira, 5 de outubro de 2010
segunda-feira, 27 de setembro de 2010
Hoje me despedi da Suécia, já estou em Londres, quarta volto para a Espanha, dia 8 tô no Brasil. Mas só passei aqui para publicar um texto que achei no blog da minha hermana Marina.
A nossa casa é aquele sítio onde crescemos. Não, corrige. É o lugar onde temos todas as nossas coisas. Errado. Onde vivem os nossos pais. Nem sempre. Onde estão as recordações. Mentira. É aquele lugar que tem cheiro familiar, gosto de tempero da avó e histórias em cada esquina. Isso é só para os mais sortudos.
Casa é tudo aquilo que levamos numa mudança. E tantas outras coisas que o camião não pode carregar. Casa é mais do que matéria. Isso sim. Casa é onde nos sentimos em casa. Mas quando aquela que era a nossa casa é divida em três caixotes: dar, levar, ficar; quando o nosso perfume é substituído pelo cheiro a fita-cola; quando a nossa boneca de infância é encaixotada sem piedade… Quando vemos tudo isso acontecer, concluímos: nós somos a nossa própria casa. Nem pais, nem amigos, nem bonecas. Nem moveis, nem edifícios, nem vizinhos. A nossa casa somos nós. Eu. Carne, osso e espirito. O resto é só romance.
terça-feira, 21 de setembro de 2010
Hoje é uma lição que eu conheço bem. Aprendi na marra, mas digeri com o passar dos anos. Viagem é escolha. Não dá pra ver tudo, tirar foto de tudo, comprar tudo, fazer caber tudo na mala e lembrar de tudo quando chegar em casa.
Eis algumas oportunidades perdidas nessa viagem que vai chegando ao fim:
Xacobeo: a data mais importante da Galícia, mas que só quando cai num domingo é realmente especial. Perdi, por estar viajando, uma lista infindável de shows, incluindo Pet Shop Boys e Muse.
Guernika: visitei essa cidadezinha num dia de greve geral, ou seja, o Museu da Paz estava fechado. Nhé.
Tour de France: o plano foi muito bem desenhado para que estivéssemos, Trisha e eu, na linha de chegada de uma das etapas do Tour. Só esquecemos de um detalhe: nos últimos 50 quilômetros, os ciclistas usariam a mesma estrada que nós, e por isso ela foi fechada duas horas antes de que tentássemos passar por ali. O prêmio de consolação foi ver os ciclistas passarem ali mesmo:
Jogo do Fenerbahçe: faltou tempo e saúde para ir até o lado asiático encontrar o professor de história mais legal da Turquia, que tinha arranjado até um encontro com o Lugano. Não vou me alongar nessa história, mas quase me joguei pela janela quando descobri o preço que paguei pra passar o dia no Final Cut Pro.
Jogo da Seleção Turca: contra a Romênia, e o mesmo professor de história tinha conseguido até camisas da seleção pra gente. Mas não ia dar tempo de ir até lá, de novo.
Exames de idiomas: Meus exames de francês e galego foram no começo de junho, quando eu estava no Brasil a trabalho, então perdi. Ainda bem que tinha uma segunda convocatória, em 2 de setembro. Pena que eu estava em Estocolmo né?
Helsinki: Cinco semanas na Suécia e não deu para dar um pulo na Finlândia para rever Heidi e Tuulia, minhas amigas do intercâmbio. Há dez anos não nos vemos, e só hoje concluí que realmente seria impossível esticar essa viagem até lá. "Dar um pulo" em Helsinki envolve 16 horas de viagem (DE IDA), by the way.
Eis algumas oportunidades perdidas nessa viagem que vai chegando ao fim:
Xacobeo: a data mais importante da Galícia, mas que só quando cai num domingo é realmente especial. Perdi, por estar viajando, uma lista infindável de shows, incluindo Pet Shop Boys e Muse.
Guernika: visitei essa cidadezinha num dia de greve geral, ou seja, o Museu da Paz estava fechado. Nhé.
Tour de France: o plano foi muito bem desenhado para que estivéssemos, Trisha e eu, na linha de chegada de uma das etapas do Tour. Só esquecemos de um detalhe: nos últimos 50 quilômetros, os ciclistas usariam a mesma estrada que nós, e por isso ela foi fechada duas horas antes de que tentássemos passar por ali. O prêmio de consolação foi ver os ciclistas passarem ali mesmo:
Jogo do Fenerbahçe: faltou tempo e saúde para ir até o lado asiático encontrar o professor de história mais legal da Turquia, que tinha arranjado até um encontro com o Lugano. Não vou me alongar nessa história, mas quase me joguei pela janela quando descobri o preço que paguei pra passar o dia no Final Cut Pro.
Jogo da Seleção Turca: contra a Romênia, e o mesmo professor de história tinha conseguido até camisas da seleção pra gente. Mas não ia dar tempo de ir até lá, de novo.
Exames de idiomas: Meus exames de francês e galego foram no começo de junho, quando eu estava no Brasil a trabalho, então perdi. Ainda bem que tinha uma segunda convocatória, em 2 de setembro. Pena que eu estava em Estocolmo né?
Helsinki: Cinco semanas na Suécia e não deu para dar um pulo na Finlândia para rever Heidi e Tuulia, minhas amigas do intercâmbio. Há dez anos não nos vemos, e só hoje concluí que realmente seria impossível esticar essa viagem até lá. "Dar um pulo" em Helsinki envolve 16 horas de viagem (DE IDA), by the way.
sábado, 11 de setembro de 2010
"People are always talking about freedom. Freedom to live a certain way, without being kicked around. Of course, the more you live a certain way, the less it feels like freedom. Me? I can change during the course of a day. When I awake I'm one person and when I go to sleep I know for certain I'm somebody else. I don't know who I am most of the time.It's like you got yesterday, today and tomorrow, all in the same room. There's no telling what can happen."
quarta-feira, 25 de agosto de 2010
Mala: Ela era boa (parecia). Comprada em Roma na Semana Santa de 2009, substituindo outra que já tinha dez anos e era (literalmente) um saco pra carregar. Verde clarinha, rodinhas super potentes, extremamente satisfatória. Quebrou na fatídica noite de 30 de julho de 2010 entre a Galta Tower e a estação de metrô Davutpasa (tem uma cedilha embaixo desse S). A memorável noite em que cheguei ao Congresso Mundial da Juventude escoltada por três policiais de Istambul. Conto essa história se vocês pedirem por favor. Causa mortis: lacre da alça de puxar rompido, alça lateral rasgada, metade do suporte das rodinhas quebrado e um dos pés de suporte estourado quando passei com ela muito rente a uma parede. Ops.
Mala [2]: Ela já parecia ruim. Comprada em Istambul, substituindo a do parágrafo anterior. Istambul é uma cidade muito barata, muito muito barata. A mala em questão custou o mesmo que a mala de Roma, que não é uma cidade barata, nem um pouco barata. A ilusão me fez pensar que Mala [2] duraria no máximo dois meses e que tudo bem porque eu já planejava me desfazer da Mala após essa viagem e então Mala [2] teria uma vida curta mas bastante viajada animada diferente das malas que só servem para carregar a mercadoria da casa para a feira e da feira para casa o que é mais menos o destino da maioria das malas que já de cara parecem ruins. Ufa! Mala [2] tinha a alça extremamente temperamental e emperrou já no caminho entre a universidade e o aeroporto Ataturk. A inutilização total chegou como surpresa na esteira do aeroporto Heathrow em 13 de agosto de 2010: um dos zíperes estava quebrado.
Par de sandálias: Elogiadas pela alemã por sua simplicidade e comodidade. Sola de madeira, tiras de elástico cor bege. Compradas em Franca, a capital nacional do calçado, há não sei quantos anos. Abduzida por alienígenas entre Carcassonne (França) e Istambul em 29 de julho de 2010, provavelmente durante o reposicionamento da bagagem no aeroporto de Barcelona. Teve uma vida longa e feliz, conheceu em profundidade cidades como Buenos Aires, La Coruña, San Sebastián, Barcelona e... Istambul! Foi encontrada após dez dias de buscas (e uns 70 reais para comprar outro par de sandálias boas e duráveis, mas que machucam o pé, merda).
Pente: Era tão bonitinho, de madeira e pequenino, cabia em qualquer lugar. Roubado da minha irmã mais nova (foi mal aí, sister). Criança desaparecida na viagem entre Manisa e Istambul entre 9 e 10 de agosto de 2010. Não há pistas de seu paradeiro.
Pente [2]: Sim, eu tinha dois pentes, gostava dos dois e resolvi levar ambos para o caso de perda de um deles (jênia!). Aí perdi os dois. Esse era de plástico, verde, grande e com dentes separados, uma delícia para pentear os cabelos. Perdido entre a casa do meu amigo em Londres e a casa do meu amigo em Estocolmo. Suspeita-se que o desaparecimento tenha acontecido em 17 de agosto de 2010 durante a retirada de objetos da mala de mão para colocar os malditos líquidos dentro do maldito saquinho de plástico. Em determinado momento minha filmadora caiu da mochila embaixo da mesa e eu a vi, a peguei e disse "ufa, ainda bem que percebi!"
Carregador do celular: Cor cinza, carregador da marca Samsung, dois dentes de metal não-redondos (passei cinco inúteis minutos tentando encontrar melhor descrição). Oficialmente dado como desaparecido em 23 de agosto de 2010, não sei como, duvido que tenha caído junto com o pente acima, suspeito que esteja em Londres ou no meio da minha mala, esperando para repetir a traquinagem das sandálias. Sigo conectada ao mundo graças (bom, tem a Internet) ao meu recém-adquirido talento para falar turco. O amigo do meu amigo é turco e me achou legal porque eu aprendi turco na Turquia (acreditem, não é comum) e me emprestou o dele. Daqui a cinco dias, porém, vou mifu.
Par de tênis: Estilo converse, cor preta, sola preta, cadarço preto, cano médio. Barato mas confortável, galego mas espertinho. Conheceu quatro continentes, mais especificamente Brasília, Andaluzia, Marrocos, Occitânia, a parte asiática de Istambul e até a Escandinávia. Deu os últimos suspiros ontem, 24 de agosto de 2010, após extensa caminhada de mais de seis horas e quinze quilômetros pelas ruas de Estocolmo. Minhas duas bolhas no calcanhar que o digam.
Fones de ouvido:ainda não morreram mas estão (literalmente) por um fio. Rezem comigo, Brasil. Óbito: 16h39, 25/08/2010.
Que em paz descansem todos os outros.
Mala [2]: Ela já parecia ruim. Comprada em Istambul, substituindo a do parágrafo anterior. Istambul é uma cidade muito barata, muito muito barata. A mala em questão custou o mesmo que a mala de Roma, que não é uma cidade barata, nem um pouco barata. A ilusão me fez pensar que Mala [2] duraria no máximo dois meses e que tudo bem porque eu já planejava me desfazer da Mala após essa viagem e então Mala [2] teria uma vida curta mas bastante viajada animada diferente das malas que só servem para carregar a mercadoria da casa para a feira e da feira para casa o que é mais menos o destino da maioria das malas que já de cara parecem ruins. Ufa! Mala [2] tinha a alça extremamente temperamental e emperrou já no caminho entre a universidade e o aeroporto Ataturk. A inutilização total chegou como surpresa na esteira do aeroporto Heathrow em 13 de agosto de 2010: um dos zíperes estava quebrado.
Par de sandálias: Elogiadas pela alemã por sua simplicidade e comodidade. Sola de madeira, tiras de elástico cor bege. Compradas em Franca, a capital nacional do calçado, há não sei quantos anos. Abduzida por alienígenas entre Carcassonne (França) e Istambul em 29 de julho de 2010, provavelmente durante o reposicionamento da bagagem no aeroporto de Barcelona. Teve uma vida longa e feliz, conheceu em profundidade cidades como Buenos Aires, La Coruña, San Sebastián, Barcelona e... Istambul! Foi encontrada após dez dias de buscas (e uns 70 reais para comprar outro par de sandálias boas e duráveis, mas que machucam o pé, merda).
Pente: Era tão bonitinho, de madeira e pequenino, cabia em qualquer lugar. Roubado da minha irmã mais nova (foi mal aí, sister). Criança desaparecida na viagem entre Manisa e Istambul entre 9 e 10 de agosto de 2010. Não há pistas de seu paradeiro.
Pente [2]: Sim, eu tinha dois pentes, gostava dos dois e resolvi levar ambos para o caso de perda de um deles (jênia!). Aí perdi os dois. Esse era de plástico, verde, grande e com dentes separados, uma delícia para pentear os cabelos. Perdido entre a casa do meu amigo em Londres e a casa do meu amigo em Estocolmo. Suspeita-se que o desaparecimento tenha acontecido em 17 de agosto de 2010 durante a retirada de objetos da mala de mão para colocar os malditos líquidos dentro do maldito saquinho de plástico. Em determinado momento minha filmadora caiu da mochila embaixo da mesa e eu a vi, a peguei e disse "ufa, ainda bem que percebi!"
Carregador do celular: Cor cinza, carregador da marca Samsung, dois dentes de metal não-redondos (passei cinco inúteis minutos tentando encontrar melhor descrição). Oficialmente dado como desaparecido em 23 de agosto de 2010, não sei como, duvido que tenha caído junto com o pente acima, suspeito que esteja em Londres ou no meio da minha mala, esperando para repetir a traquinagem das sandálias. Sigo conectada ao mundo graças (bom, tem a Internet) ao meu recém-adquirido talento para falar turco. O amigo do meu amigo é turco e me achou legal porque eu aprendi turco na Turquia (acreditem, não é comum) e me emprestou o dele. Daqui a cinco dias, porém, vou mifu.
Par de tênis: Estilo converse, cor preta, sola preta, cadarço preto, cano médio. Barato mas confortável, galego mas espertinho. Conheceu quatro continentes, mais especificamente Brasília, Andaluzia, Marrocos, Occitânia, a parte asiática de Istambul e até a Escandinávia. Deu os últimos suspiros ontem, 24 de agosto de 2010, após extensa caminhada de mais de seis horas e quinze quilômetros pelas ruas de Estocolmo. Minhas duas bolhas no calcanhar que o digam.
Fones de ouvido:
Que em paz descansem todos os outros.
terça-feira, 24 de agosto de 2010
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