quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Eu já sabia de tudo isso, mas divido com a turma para quem quiser me entender um pouco melhor.

terça-feira, 17 de agosto de 2010



(Jean-Sébastien Monzani - jsmonzani.com)

domingo, 15 de agosto de 2010

Vídeo que co-produzi em Istambul:

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Postado originalmente no Blog das 30 Pessoas.

Ontem acordei querendo a minha cama. Aquela distante alguns milhares de quilômetros, com o colchão duro demais naquele quarto pequeno lotado de caixas com meus cadernos do colégio, textos da faculdade, bichos de pelúcia canadenses e pertences valiosos e impossíveis de descartar que já escaparam da minha memória.

Não estou acostumada a querer essa cama e suspeito que o mal-estar estomacal, atualmente o maior problema diplomático entre Brasil e Turquia, seja o grande culpado dessa vontade que, convenhamos, já passou.

O 5º Congresso Mundial da Juventude tem uns 1200 delegados de uns 150 países. Muitas floras intestinais estão padecendo com o intercâmbio bacteriano, mas a delegação brasileira parece ter sido especialmente afetada pelo choque cultural. Somos apenas 11, mas mais da metade agora tem como tema majoritário de conversas o estado físico e emocional dos respectivos intestinos. Trocamos confidências, abraços e dicas durante as refeições ou pelos corredores.

A revolta delgada e grossa ganhou fôlego no momento menos oportuno: os projetos de ação. Cada “aile” (família nas quais os delegados foram divididos) viajaria para um canto diferente na Turquia durante quatro dias para trabalhar voluntariamente em projetos locais. Por motivos de força maior, quase todos os brasileiros tiveram que desistir da ideia de passar várias horas dentro de um ônibus sem banheiro.

A família Kestane Sekeri, à qual pertenço, saiu de Istambul e veio para Manisa, uma cidade perto do Mar Egeo. Fomos batizados com o nome de uma comida que antes haviam dito que era doce, mas depois explicaram que era salgada. Estivemos dentro de um ônibus das 9h às 17h, com direito a cruzar o Mar de Mármara em uma balsa e parar em um shopping mais sofisticado que o Graal para almoçar. Encontrei um purê de batatas providencial e passei o dia bebendo Coca-Cola, a indicação do meu pai para combater a desidratação.

Mas por aqui não faltam remédios caseiros que garantem ser tiro e queda. Quase topei comer uma colher de chá de café turco em pó com limão, mas preferi uma pílula de carvão e o combo aspirina+refrigerante, ainda que isso tenha me custado um discurso dos esquerdistas radicais sobre como a Coca-Cola é tão cruel que é impossível que ela possa me fazer bem. Não entendi direito qual é a mágica do carvão, mas dizem que ele “absorve tudo”.

Tanta coisa interessante para dizer sobre a Turquia e eu aqui compartilhando detalhes sobre cocô...

--Bônus: cinco parágrafos soltos que não mencionam dejetos sólidos nem líquidos—

Istambul tem 2.500 mesquitas. Todas elas se fazem ouvir pelo menos 5 ou 6 vezes ao dia, nos horários em que os muçulmanos devem parar o que estão fazendo e rezar em direção a Meca. Que coincidência, acaba de começar o chamado do último horário de reza.
Em Manisa somos 24 pessoas dos seguintes países: Brasil, Canadá, EUA, Argentina, Bangladesh, Marrocos, Alemanha, Albânia-Itália, Paquistão, Egito, Palestina, Iêmen, Polônia, Nigéria, Geórgia, Austrália, Nepal. Devo ter esquecido alguém.

O café-da-manhã inclui tomate e pepino. Todo. Santo. Dia. De vez em quando comemos batata frita nas três principais refeições. Comíamos, é claro, mas prometi não abordar esse assunto.

Meu turco ainda vai me levar longe. Sei dizer “olá”, “tudo bem?”, “meu nome é Carolina”, “eu sou do Brasil”, “eu sou jornalista” e, por fim, “eu não sei falar turco”. É o suficiente para ganhar a simpatia dos seguranças do campus e motoristas de ônibus, além de descontos em lojas.

Domingo quase dei de presente para o meu pai um genro argentino. Sebastián e eu havíamos sido escalados para o papel de noivos num casamento típico turco. No fim, para evitar ensaios, trocaram os noivos e fomos só coadjuvantes suados (suspeitamos que os casamentos só acontecem no inverno, dada a quantidade de peças de roupas nas quais fomos enfiados). Papai, pode respirar aliviado!

terça-feira, 27 de julho de 2010

Mas não quero falar sobre isso agora.

Fiquem com fotos:


sexta-feira, 9 de julho de 2010

(publicado originalmente no Blog das 30 Pessoas)
 
Já não sei há quantos dias estou aqui. Cheguei numa sexta e hoje é quinta-feira, o que se supõe que vivo no meio do nada há uma semana. Mas, como boa cigana que sou, já esqueci como é o som da descarga e a cor de unhas demasiado limpas. Parece que sempre trabalhei das 6:30 às 10:30 arrancando as ervas daninhas que sugam a água das berinjelas, podando os pés de tomate e colhendo batatas vermelhas e brancas.

Removo a terra com as minhas próprias mãos atrás das raízes e nem percebo se há alguma minhoca, besouro, grilo ou plantas espinhosas ao meu redor. Descobri que existe minhoca verde.

Minha casa tem paredes brancas e teto verde. É feita de nylon e a porta é do mesmo tamanho que a janela, as duas se fecham com zíper. Dentro, um colchão, meu saco de dormir, um travesseiro, uma mala com algumas roupas, alguns livros e a minha revista de palavras-cruzadas, que já chega perigosamente ao final.

Os dias duram 16 horas. O calor é tão forte que saio da ducha suando e até a água do lago deixa de refrescar a partir do quinto segundo. Para se referir ao calor infernal, insuportável, sufocante, dos diabos, por aqui empregam uma palavra que também existe em Português, mas que eu nunca tinha escutado antes: canícula. Agora entendo os velhinhos que literalmente morrem de calor no verão francês e viram notícia mundial.

Meu vocabulário continua limitado: chaud, chaleur, canicule, été, lac, douche, eau são os substantivos que eu mais uso. O ser vivo mais citado é a mouche, ou seja, a mosca. Ontem Marielle montou uma tenda para Salomé poder dormir em paz. Aos dois anos e três meses, ela já fala fluentemente a frase « as moscas perturbam », com o sotaque do sul da França, para diversão dos pais, emigrantes do norte.

Amanhã à noite faremos uma receita brasileira: arroz com feijão, e brigadeiro como sobremesa. Até agora não entendi que raciocínio me fez decidir não carregar comigo um pacote de pão de queijo, acho que esse é o fim da minha carreira internacional como garota-propaganda da Yoki, atuando no Canadá, Alemanha, Dinamarca, Inglaterra, País de Gales, Espanha, Bélgica, Holanda, Argentina e Suíça.

Espero comentários, posto que tive que subir uma ladeira e atravessar o galpão das abelhas para usar o computador do vizinho com teclado francês faltando varias teclas. E já anoiteceu, portanto vou fazer o caminho de volta na escuridão total.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Quando o Alexandre Inagaki te convoca, não tem como fugir. Coloquei até a mãe no meio para rastrear o passado e descobrir qual foi o primeiro livro que eu li.

Dona Diva, imortalizada em 2008 pelo Doni, mas que volta hoje ao papel de coadjuvante da blogosfera anarística, respondeu prontamente ao meu e-mail perguntando qual era o primeiro livro que eu li. Acho que ajudou o "IMPORTANTE" que eu coloquei no título da mensagem. Precisei dela porque tenho muitas memórias da minha infância relacionada a livros, mas elas estão misturadas em uma salada cronológica.

Minha lembrança mais forte é a Coleção Barra Manteiga (sim, a coleção inteira). Durante uma fase da minha vida, mamis me levava uma vez ao mês à Livraria da Vila para que eu escolhesse um livro. Foi assim que completei essa coleção, mas só me lembro de um episódio: certo mês, consegui convencê-la a comprar dois livros, em vez de um. Diz ela que eu tinha oito anos nessa época. Um dos livros era Os lençois do fantasma ziguezague e eu adorava a história do fantasma super assustador e também muito fashion, com lençois coloridos e estampados de tudo quanto é jeito.



Só que, no final, você descobre que ele tem um armário cheio de lençois porque na verdade o corpo dele é feito de palitos de sorvete, e isso não assusta ninguém, verdade? O que aconteceu foi que eu fui lendo um dos livros no carro, e o segundo terminei antes da janta daquele mesmo dia. Eu bem que tentei choramingar para conseguir renovar o meu estoque, mas a mamis era casca grossa meu! (e sorte que ela não tem Gmail, não sabe fazer uma openID, e por isso não consegue comentar no blog)

Bom, não foi esse nem o primeiro nem o último livro que eu li. Mas como as provas do carbono-14 não funcionam para a memória, o máximo que consegui foi chegar a três finalistas:

1) As pintas do preá
Esse quem desenterrou do baú foi a mamis. Eu nunca teria pensado nele, mas lembrei na hora do quanto eu adorava os desenhos dos preás (dá pra perceber que desde que criança meu estilo de moda era bem, digamos, alternativos, né?). A cada página aparecia um preá decorado de uma maneira diferente do anterior, e o livro é todo em rimas. E segundo a Dona Diva eu tinha essa coleção inteira (o Google avisa que é a Coleção Gato e Rato)


2) Lúcia Já-Vou-Indo
Eu a-ma-va a Lúcia, em alguma época da minha infância. Que livro bem desenhado, que azul lindo usaram para pintar a lesma rechonchuda que estava atrasada para uma festa.  E o alface que ela carregava? Acho que li esse livro 463 vezes. Mas não lembro de uma palavra, por isso nem pergunte!


3) Flicts (SPOILER ALERT!)
Duvido que Flicts tenha chance de ter sido meu primeiro livro. Mas, como o Paraguai na Copa da África, vou tentar arrastá-lo o máximo possível, porque de longe é o livro que mais me marcou, depois de Crepúsculo (brincadeira, brincadeira! nem li esse). Flicts, para quem não sabe, foi escrito pelo Ziraldo e conta a história de uma cor que, por não ser tão popular como o vermelho, o azul, o amarelo, etc., acabava sendo rejeitada pelos objetos. Ninguém queria ser da cor flicts, por mais que ela viajasse pelo mundo para encontrar um lugar onde viver. Daí ela foi sumindo, sumindo, sumindo, até que por fim encontrou seu lugar. Na última página, Ziraldo revela: a Lua é flicts.


Eu gosto tanto dessa história sobre diversidade e toletância que, quando fazia intercâmbio no Canadá e a professora de francês nos deu como projeto a produção de um livro, eu não pensei duas vezes: traduzi o Flicts, desenhei todas as páginas, colori e coloquei até papel contact na capa. Fez menos sucesso que o brigadeiro que eu preparei pro projeto de culinária, mas valeu o esforço né?

Bônus: A Galinha Ruiva
Se você se sentiu mais ludibriado com esses três finalistas do que lá no meu post sobre nudismo, aqui vai, definitivamente, sem sombra de dúvidas, a primeira história que eu já ouvi na minha vida: A Galinha Ruiva. Diz a Dona Diva que essa foi a primeira história que ela leu pra mim. E, ao contrário do Flicts, eu não aprendi absolutamente nada do que deveria com a moral da história da galinha que plantou o trigo, colheu o trigo, amassou o trigo, fez o pão e, já que nenhum dos outros animais quis ajudá-la com o trabalho, no final ela não dividiu o fruto do trabalho com ninguém (rá! não avisei do spoiler! estou num parágrafo meio #kakabadboy). Não lembrava da história, mas juro de pé junto que, quando a lia aqui nessa página tinha certeza que no final a galinha compartilharia o pão com os amiguinhos preguiçosos. Tolinha eu, né?
 

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